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Crónica A Voz à Juventude (16) Santos da Casa não fazem milagres

Jornal Correio do Minho




"Correio do Minho" 22/01/2013



Santos da casa não fazem milagres

Hoje é dia de S.Vicente, personagem da Igreja Católica, martirizado no Séc. IV aquando das Grandes Perseguições, instituídas pelo Imperador Diocleciano.

A festa de S.Vicente conheceu o seu “ponto alto” na noite passada, com o ritual das “fogueirinhas”, tradição que leva muitas pessoas à Igreja (a venerar o Santo e pedindo protecção, sobretudo para as crianças, contra a varíola), mas também ao adro da mesma, para momentos de convívio.

Aferimos, com preocupação, a necessidade expressa pela Irmandade de S.Vicente em proceder a obras de conservação do interior, lembrando que o edificado deste tesouro do barroco, monumento de interesse público desde 1986, se encontra bastante degradado.

No passado dia 20 celebrou-se, também, o dia de S. Sebastião. A História diz que este homem teria sido soldado romano e que era amigo dos cristãos. Por ser demasiado benevolente, o Imperador tê-lo-á condenado à morte, por disparo de flechas. Na modesta capela de S. Sebastião das Carvalheiras, mandada erigir, no presumível local onde se situava o Forum de Bracara Augusta, pelo arcebispo D. Rodrigo Moura Telles, encontra-se um rolo de cera, com o comprimento da antiga muralha medieval de Braga, que seria aceso sempre que houvesse sinais de fome, de guerra ou de peste. S. Sebastião das Carvalheiras é um templo pleno de história, de singular arquitectura e decorado com azulejos e pinturas. Também este templo apresenta evidentes sinais de degradação. A Irmandade afirma que precisa de ajuda para recuperar o templo e, se possível, envolver os jovens nesta missão.

Também no Domingo, pela iniciativa do jovem bracarense Leonardo Rodrigues, um grupo de cidadãos teve a oportunidade de visitar o recolhimento de Santa Maria Madalena, mais conhecido como a Casa das Convertidas. Durante esta visita foi possível observar o abandono do local, a degradação e o avançado estado de ruína de algumas divisões da Casa. Leonardo Rodrigues, por vontade própria e assumindo uma missão de cidadania, solicitou a visita, insistiu e persistiu até que os serviços do Ministério da Administração Interna autorizassem a visita, partilhando com os visitantes um pouco da história do local.

As Grandiosas Festas em Honra de N.ª Sr.ª da Piedade e S. Marçal, expressão popular que desapareceu nos finais da década de 70 do século passado, foram reeditadas em 2008, dando alguma visibilidade à Capela e ao Parque de Guadalupe. Tem-se assistido, desde então, a uma vontade crescente de dinamizar aquele espaço verde, tornando-o fruível para a cidade.

Em suma, muitas Igrejas e Capelas (bem como outros monumentos), fazem parte do nosso património e da nossa História, mas encontram-se com enormes carências financeiras, sendo incapazes de socorrer as mais prementes necessidades estruturais. Não podemos confiar na providência divina para arranjar uma solução, pois o que é obra do Homem, deve ser o Homem a dar garante da sua subsistência. O exemplo do Leonardo e da renovada comissão de festas de Guadalupe deve ser exemplo que prolifere como acto de cidadania, fazendo dos cidadãos os agentes proactivos da mudança para uma construção sustentada, defendendo e valorizando a nossa identidade. E aqui, a Igreja deve ser o “Bom Pastor” e auxiliar, dentro das suas possibilidades, o seu rebanho a edificar a obra. Mas deve, ainda, a Câmara Municipal participar no bom zelo do seu património, constituindo uma Carta do Património, identificando os riscos e prevendo medidas de valorização.

E porque se fala da importância das pessoas, hoje, dia 22, uma boa e de longa data amiga cumpre uma data festiva, celebrando mais um aniversário de vida. À minha amiga Mara, apoiante e conselheira, muitos parabéns.




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