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Crónica A Voz à Juventude (15) Reconverter as Convertidas

Artigo publicado no Correio do Minho




"Correio do Minho" 27/11/2012

Vozes


Passo ao lado da Casa das Convertidas e olho com contemplação para um edifício de singela arquitetura.

Quem vê de fora, vislumbra duas fachadas: uma virada à Avenida Central, rasgada por janelas e adornada por brasões; outra, ladeando a Rua de S.Gonçalo, minimalista, assegurando a proteção do intramuros, mantendo intransponível o ambiente silencioso daquele lugar.

Poucas pessoas em Braga conhecem a história do edifício e muitas menos são aquelas que lá entraram! Creio que aquele edifício, imponente no cunhal das artérias citadas, merecia estar à fruição da população, aproveitando o seu potencial patrimonial para ser um fator de atração numa zona populacionalmente deprimida e cada vez mais deserta.

Pessoalmente, reitero uma ideia subscrita pela JovemCoop, de há uns anos a esta parte, que refere a possibilidade de Braga investir numa verdadeira política de juventude, criando uma infraestrutura que possa albergar os jovens, proporcionando-lhes uma estadia de qualidade. Falo, pois claro, numa Pousada da Juventude no centro histórico.

Das várias razões para defender esta possibilidade, enuncio algumas delas:

Geralmente, quem procura as Pousadas de Juventude não dispõe de meio de transporte próprio, e todos sabemos como a rede de transportes urbanos é insuficiente em Braga, ou, pelo menos, inadaptada à realidade jovem. Imaginemos um evento noturno que atraia jovens ao centro da cidade e que acabe à meia noite (um espetáculo de teatro, música, dança ou uma exposição).

Se a Pousada da Juventude se localizar no centro, não haverá preocupações com a rede de transportes pois os jovens ficarão perto das estruturas de transporte e mobilidade - Central de Camionagem, Estação de Caminhos de Ferro, várias praças de táxi;

Se a Pousada ficar localizada na Casa das Convertidas, os jovens ficarão perto dos centros de conhecimento: Universidade do Minho, Universidade Católica, Instituto Ibérico de Nanotecnologias, onde facilmente se poderão deslocar a pé.

A pousada estará no centro dos (futuros?) Parques Verdes - entre o Parque Norte (Dume), o Parque Sul (S.João da Ponte/Picoto), o Parque Nascente nas Sete Fontes e o Parque Oeste perto da zona de Maximinos(?).

Uma pousada no centro também ficará localizada entre zonas de desporto, desde o Novo Estádio Municipal e o 1º de Maio, os Campos da Rodovia e o Parque Radical;

Situar-se-á, também, no centro do património cultural de Braga, onde os jovens poderão facilmente visitar, a pé, a Sé Catedral e as Igrejas de Braga, os Museus (D.Diogo de Sousa, Biscainhos, Nogueira da Silva, Pio XII) estruturas arqueológicas como as Termas Romanas, a Domus da Escola Velha da Sé e as Carvalheiras e situar-se-ão na zona cultural do Theatro Circo, da Escola de Música do Carandá, do Parque de Exposições de Braga, do Auditório Vita e da Gulbenkian, etc;

Os jovens que estiverem na Casa das Convertidas ficarão perto do Posto de Turismo onde poderião recolher informações várias;
Uma Pousada da Juventude no centro de Braga proporcionará, ainda, a fácil mobilidade dos jovens entre espaços de diversão noturna como cafés, cinemas, bares e discotecas.

E, sobretudo, uma pousada da juventude no centro da cidade de Braga proporcionará o contacto dos jovens com restantes cidadãos, dando mais vida ao centro histórico que está cada vez mais deserto, e permitirá uma melhor e maior aceção cultural da nossa história. Mais ritmo, mais movimentação, mais gente.

Esta noite, a JovemCoop e a Braga+ realizarão, às 21h30, na Casa dos Coimbras, um debate público, com ilustres convidados, para debater o futuro a dar à Casa das Convertidas. Este é o meu contributo para a recuperação deste monumento, mas gostaria muito de ouvir o seu. Conto consigo.


Crónica publicada no "Correio do Minho" de 27/11/2012, também disponível em http://www.correiodominho.pt/cronicas.php?id=4551



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