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Crónica A Voz à Juventude (12) Regenerar a nossa Identidade

Artigo publicado no Correio do Minho




"Correio do Minho" 04/09/2012



Bem-vindo ao mês de setembro e a um novo ciclo que se inicia ao preparar uma nova época escolar ou de nos reintegrarmos numa nova etapa da nossa vida profissional.

Numa atitude de reflexão, setembro é, para a vida social, o mesmo que o 1 de janeiro representa no ano civil. Pensar nas pequenas mudanças que queremos introduzir nas nossas vidas, os projetos que queremos abraçar e as metas que esperamos alcançar.

É neste espírito de ponderação que olhamos para as obras que estão a ser levadas a cabo ao abrigo do Programa ‘A Regenerar Braga’ e percebemos que os responsáveis pelas mesmas não aproveitaram para refletir como poderiam promover a cidade de Braga e as nossas heranças culturais.

Uma das premissas destas obras, inscritas no sitio da Internet do referido programa, afirma que “Os projetos de Requalificação Urbana são fundamentais para tornar Braga ainda mais atrativa tanto para quem nela vive, como para quem a visita e para quem nela quer investir”.
Quem vive na cidade parece desconhecer a real dimensão das obras. Basta caminhar pelas ruas da cidade e ouvir os nossos concidadãos dizerem que não sabem qual o desenho final das intervenções, quando estarão prontas as obras ou mesmo como se despende dinheiro em obras não prioritárias.

No caso dos potenciais investidores, haverá no Município um gabinete especializado que fa-culte uma análise SWOT (pontos forte, fracos, oportunidades e ameaças) e que incentive à implementação de um negócio viável, minimizando as probabilidade de investir “no escuro”?
Quanto a quem nos visita, qual a imagem que leva de Braga? A Sé Catedral ou o Bom Jesus? A Arcada ou o Arco da Porta Nova? Temos tantos símbolos iconográficos de Braga e não aproveitamos qualquer um deles. Salamanca (Espanha) usa o perfil da Catedral como imagem nos passeio da rua, tal como Mérida o faz com o desenho das portas romanas. Mérida realça ainda mais o seu orgulho colocando o mesmo símbolo nos candeeiros de iluminação pública.

E nós, que demonstração temos que somos herança de uma cidade histórica? Temos alguns monumentos mal divulgados, outros fechados e uma quase inexistente informação acessível ao público. Temos horários desadequados aos visitantes, sobretudo porque as estruturas sob a dependência municipal praticam o “horário das 9h às 17h”.

A nossa cidade tem um Posto de Turismo localizado no coração da cidade que, apesar de aberto todos os dias, o mais tarde que encerra é às 18h30. E temos a Sala de espetáculos de Braga que teve as portas encerradas durante as últimas três semanas de agosto.


A estratégia para acolher os visitantes é desajustada aos tempos atuais e as praças e ruas agora intervencionadas poderiam ser uma iniciação, ao ar-livre, à nossa história e à vivência da nossa cidade. Nos locais agora a regenerar, poder-se-ia optar por introduzir desenhos dos locais emblemáticos das 62 freguesias de Braga, poder-se-ia apostar na informação de rua e formalizar um percurso pelo centro, onde o visitante acederia a várias contextualizações históricas, dando a certeza que aí sim, estaríamos a proporcionar informação de qualidade e a regenerar a nossa imagem global e a nossa identidade una. ‘Regenerar Braga’ não devia ser só título de projeto, nem tão pouco apenas substituir calçada de cubo por pavimento lajeado, muitas vezes subtraindo espaços verdes à fruição pública (declaro-me preocupado com a possível diminuição dos espaços verdes na Avenida Central).

Regenerar Braga deveria ser a oportunidade para conquistar o orgulho dos bracarenses e o coração de quem nos visita, valorizando a nossa identidade.

Crónica publicada no "Correio do Minho" de 04/'09/2012 - também disponível aqui

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